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Universidade de São Paulo: Entre uma história de lutas e disputas

Por Michel Lutaif (24-185)

uspEm meio ao conturbado período da história mundial na década de 1930, surgem no Brasil fatos interessantes que serviram como meandros no fluir da história do país. O “crash” da bolsa de valores de Nova York não ajudava em nada a economia agroexportadora, que cada vez mais perdia espaço no cenário internacional. Surgem então movimentos organizados das elites aristocráticas pela disputa interna de poder. O golpe de Getúlio Vargas que desbancou a política conservadora do café com leite não agradou em nada os fazendeiros paulistas e mineiros. A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma tentativa da elite paulista, liderada por Julio de Mesquita Filho, então dono do jornal “O Estado de São Paulo”, de retomar o poder em escala nacional, articulando passar por cima do Governo Provisório de Vargas. Derrotados pelo exército tenentista, membros desta classe econômica se deram conta de que a maneira mais viável e imediata de reconquistar seu domínio, visibilidade e prestígio sobre a nação seria por meio da criação de um polo que reunisse a maior quantidade possível de intelectuais e que concentrasse toda a produção acadêmica e científica do país.

Aos 25 dias de janeiro de 1934, por meio do decreto n.º 6.283, o interventor federal de São Paulo, Armando Salles de Oliveira, cunhado do redator Julio de Mesquita Filho, cria a Universidade de São Paulo como um novo ensaio da história do Brasil. De início, a Universidade surgiu pela união de várias escolas independentes e autônomas. Compunham este conjunto a Faculdade de Direito, fundada em 1827, a Escola Politécnica, de 1893, a Faculdade de Farmácia e Odontologia, de 1898, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, de 1901, a Faculdade de Medicina, de 1912, a Faculdade de Medicina Veterinária, de 1919, o Instituto de Educação, de 1933 e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de 1934.

Com o passar dos anos, principalmente na sua primeira década de fundação, progrediam em meio à tensão na Europa os regimes nazi-fascistas da Alemanha e Itália. Vivia-se no Brasil uma onda de importação de intelectuais europeus para o desenvolvimento social e cultural do país. Contudo, não era de desejo nem interesse dos governos estadual e federal trazer doutores oriundos destes países para ocupar as cátedras da recém-criada Universidade. Sabia-se que a Alemanha possuía grandes escolas filosóficas, sociológicas e políticas, entretanto, se deu preferência aos professores franceses para as áreas das Ciências Humanas, e privilegiou-se os alemães para as áreas das Ciências Exatas e da Tecnologia.

A influência dos franceses como Bastide, Lèvi-Strauss e Braudel nas cadeiras de Ciências Humanas da USP foi tão grande que acabou por formar uma geração de professores que mais tarde, em meio ao período da Ditadura Militar, foram protagonistas da oposição ao autoritarismo e da luta pela redemocratização do país. São alguns destes, até hoje grandes intelectuais e estudados mundialmente: Florestan Fernandes, Antônio Cândido e Fernando Henrique Cardoso. Professores estes que posteriormente têm suas cátedras cassadas pelo regime por bravamente combaterem e resistirem à tentativa dos militares de influenciar, separar e desmembrar a Universidade e suas unidades.

Podemos dizer que hoje, em uma terceira geração de professores formados internamente à Universidade, as lutas e movimentos sociais em discussão sofreram um grande processo de transformação. Discute-se atualmente no meio acadêmico os produtos da pós-modernidade, do pós-Guerra Fria, da Terceira Revolução Industrial, da influência da tecnologia e da mídia na vida dos cidadãos, da globalização, dos limites do fundamentalismo religioso, da questão bélica nuclear, da atuação dos direitos humanos em grande escala, envolvendo o Biodireito, a Bioética, debates avançados sobre sexualidade, liberdade de expressão,  igualdade, inclusão e diversos outros. Enfim, os tempos mudam, os debates se transformam, mas a Universidade deve dizer presente!

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